Ano
1998
Autor
CEMIN, Arneide Bandeira
Grau
Doutorado
Orientador
TRINDADE, Liana Maria Sálvia
Páginas
435
Resumo
O "poder do Santo Daime" consiste na sua capacidade para "doutrinar" o pensamento, entretanto, para que a doutrina seja interiorizada, é necessário que os sentimentos e o estado perceptivo estejam alinhados a essa finalidae, selados por um compromisso que se configura na "entrega" ou "juramento" de pertença ao sistema. Temos assim, que as categorias ordem=disciplina; xamanismo=estado de percepção xamânica; dávida= troca dávida, designam, ao memso tempo, aquilo que Da Matta chamou de "lógicas da rua", da "casa"e do "outro mundo"; e as formas arcaicas de troca e de contrato (Mauss) entre os homens e os deuses. Desse modo, essas categorias permitem articular os principais elementos do "poder" do Santo Daime, bem como visualizar a dinâmica de seu funcionamento. As noções que designam o poder são categorias sintéticas: o "Poder do Chefe" consiste na criação de uma comunidade tendo por base a "lógica da casa" em oposição complementar à "lógica da rua" do ponto de vista econômico e intelectual: formalismo racionalizante, bem como ao intelectualismo de base livresca. Evidenciando, também, um dos liames pelo qual se tece o "Poder", poder da narrativa e do narrador. A lógica da ordem: disciplina e hierarquia, bem como rito cívico e controle social dão ao "Poder do Chefe", a configuração de "rito da ordem". As fontes dessa inspiração são múltiplas e complementares: quartel, xamanismo e injunções históricas. O "Poder do Daime": concepções e usos rituais pautam-se em técnicas corporais, "sistemas de montagens simbólicas" que dão facticidade à idéia de dávida pelas noções/ações de ajuda , abrigo, conforto, cura e correção; vistas como doações do chefe e da bebida, que aliás são considerados divindades. A operacionalização do "Poder Ritual" é o "pensamento". O ritual, portanto, costitui-se em método de verificação e correção de "imaginário". O processo de iniciação é a aquisição da capacidade requerida para o enfrentamento com as imagens pessoais, que se mostram no interior da "arquitetura ritual", em confronto e ajuste com a subjetividae instituída pelo sistema, que da perspectiva ritual é um "dispositivo maquínico" produtor de subjetividade.
Tombo
4021N
Volumes
2
Departamento
Antropologia
Programa
Antropologia Social
Unidade USP
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas